De vida ao tempo

Já é tarde. Procuro algo com o que escrever procurando algo com o que escrevia minha vida até um tempo esquecido lá atrás.

Não foram os tempos que mudaram. Se minha vida é um segundo só, o tempo leva a culpa sendo inocente.

Nem foram as coisas que mudaram. Se minha vida é um instante apenas, não ha tempo para se ter coisas e delas se desfazer.

Tudo o que eu tenho, na verdade, é o que aceito quando disse sim para por a cara neste mundo descarado. Troco esse infeliz trocadilho, pela sensação que havia em mim no fragmento de hora em que sorri pela primeira vez sem precisar TER ou sem precisar SER.

Às vezes penso que a vida é um desafio como brincadeira de primos na piscina. Dar as caras no mundo desconhecido abaixo daquela linha d’água e ali ficar pelo tempo que se aguentar e quando tudo começa a ficar sufocante, asfixiante, basta conseguir dar vazão ao instinto que avisa que o mundo de onde viemos de fato está acima de nós.

Quem disso se esquece, se afoga e desce cada vez mais fundo, onde não há ar, onde não ha vida, mas há tempo à desgosto para morrer.

Good Night Tree Hill, you leave too

O que mais gosto em personagens é que cada um deles guardam um traço que identificamos em nós mesmos. Assim, todo filme, seriado, romance literário – os de qualidade é claro, novelas da Globo não contam -, são para nós um material que usamos para construir um lugar novo no nosso coração.

Neste lugar, guardamos olhares, palavras, silêncios, que nos de alguma forma despertaram em nós sentimentos e sensações que nunca mais havíamos experimentado. Pensamentos e intuições que por tanto tempo estavam enterrados

Assim que uma bola de basquete nas mãos de um garoto sonhador, uma amante de rock solitária, uma melhor amiga cantora e um rapaz errante que repensa suas atitudes com o outro falam comigo em nove anos de existência, ainda que eu os tenha acompanhado por apenas 5 anos e alguns meses.

Jamais vou esquecer daquela solidão que me atingiu num domingo de manhã, quando passeando pelos canais do SBT, encontrei um episódio de uma série onde, no final, tudo dá errado! Achei aquilo maravilhoso e resolvi correr atrás! E estou correndo até hoje atrás de mim mesmo por essa série sem que eu tenha percebido! Até julguei que aquilo fosse o final da série passando naquele momento. E me identifiquei com a situação que eu vivia comigo mesmo e com muitas coisas da minha vida.

One Tree Hill, é mais que um seriado, é um mundo que eu criei em mim mesmo, um refúgio das mazelas da realidade, uma companhia para a solidão. Hoje One Tree Hill vai embora do futuro de todos nós e é o momento de se repensar o que fazer da vida. E fazer valer a pena todas as lições ali aprendidas.

Dan Scott morreu redimido. E o mesmo espero que aconteça com meus erros. Que todos eles morram, mas perdoados. E que o bom da minha vida prossiga em paz!

Boa Noite, Tree Hill! Descanse em paz.

 

 

23, O Número!

Eu tinha um colega de classe, anos atrás, que tinha umas frases um pouco estranhas, mas que pra ele faziam todo o sentido. Tinha também um número que ele muito gostava de exprimir em todas as suas falas: “23”. Ele diz com gosto! “Vinte e três é o número!”. O da sorte, o preferido, enfim, ele era fã do número. Claro que o fato de ele ter nascido num dia 23 ajudava muito…

Hoje faço 23 anos. Nem tão jovem, nem tão adulto. Nem tão sábio, nem tão ignorante. Nem tão decidido, mas também nem tão confuso como pensam. Sempre há muito pra aprender, pra errar, pra entender, pra peneirar.

Alguns fatos eu gostaria de lembrar, se tiver tempo e paciência, pode dar esse presente para mim, leia aí um pouco das minhas nostalgias!

Que tal a primeira vez que cortei meu cabelo pra valer! Pois é… Eu tinha cinco anos, meu cabelo, era lindo! Enorme, enrolado! Mas minha mãe me pediu pra cortar! Foi triste! Quem me conheceu entre 2006 e 2007, viu minha rebeldia manifestada naquele enorme cabelão!

O dia em que entrei pra escola, no pré… Minha mãe me perguntava: “Quer ir agora cedo ou quer q eu te matricule a tarde?”. Eu me arrependo amargamente de ter escolhido o horário da manhã!!! Tenho sono até hoje!

Lembro de subir no alto do sofá com meu irmão. Meu pai ligava aquele pagode do “Raça Negra” no último volume, eu usava uma  parte de um “negócio” que usávamos para encher pneu de bicicleta, fazia aquele pedaço de coisa quebrada de microfone e me acabava nas noites em casa!

E o dia em que eu consegui escrever meu primeiro “S”? Foi histórico! Todos em casa aplaudiram!

Tudo bem, deixemos as lembranças tão infantis. Vamos para as mais recentes!

O dia em que entrei para a escola de música. Haviam dez vagas. Todas preenchidas. O amigo Rodolfo que estudava violão naquela época, me apresentou para o professor Washington. Não sei o que ele viu em mim, mas conseguiu me passar à frente de todos e garantir uma vaga para que eu finalmente mergulhasse no mundo mágico da música!

Anos depois, falo com orgulho e com humildade, recebi o troféu do prêmio cultural, como primeiro colocado. Quando toquei um clássico de Paulinho Nogueira.

E quando concluí o Ensino Médio como Orador da Turma! Foi uma experiência incrível!

O tempo foi passando e Deus foi me aproximando de pessoas, coisas e situações que me provaram, me recompensaram e me fortaleceram sempre mais. Tenho orgulho hoje não só escrever um “S” mas textos que são lidos por muita gente, cantar com meus irmãos para Deus pai, estar a frente de um grande projeto artístico… Mas, claro. O velho dorminhoco ainda dorme em mim! O rapaz atrapalhado, distraído, sonhador. Atrás de uma barba e de nomes que me dão, aquela criança ainda é viva e intensa e faz meus olhos brilharem todos os dias!

Um obrigado a Deus, a Nossa Senhora, à minha família e a todos os meus amigos de verdade e, principalmente, aos meus inimigos. Eles me ensinam antes de tudo como ser cristão!

OBRIGADO, pelos meus 23 anos cheios de retalhos de todos vocês! 23, esse é hoje o meu número!

Feliz Aniversário!

Estado Laico ou Estado Ateu?

Hoje vi uma matéria altamente tendenciosa no jornal Estado de São Paulo que dizia sobre um patrocínio feito pela prefeitura de São Paulo (Kassab) à Igreja Católica para a realização de uma passeata. Então eu compartilhei a notícia no facebook com o comentário “O Estado é laico, não é Ateu. Se patrocina parada gay, pode patrocinar passeatas religiosas e ponto.”

Então fui questionado por um conhecido, conforme podem conferir no link acima, do porquê de eu relacionar “ateu” e “gay”. Achei considerável publicar minha resposta aqui. Espero não ofender nenhuma opinião alheia, apenas argumento minhas convicções. Fique à vontade para dizer as suas e assim podemos ter uma boa conversa sobre isso. Abaixo, a transcrição adaptada das minhas postagens.

“Oi Felipe, boa sua pergunta. Se você ler melhor, vai ver que não fiz comparação entre ateus e gays. Alías, a maioria dos meus amigos gays não são ateus.

O que acontece é que hoje os ativistas homossexuais tem lutado para proibir as opiniões cristãs a respeito do ser ou não ser homossexual. E fazem isso com rótulos, com taxações como a de “homofóbicos”, o que na minha opinião não cabe há alguém que conhece dialogar em paz.

Além disso, os ativistas gays, com interesse mais político do que qualquer outro, alegam que as igrejas não podem ser ajudadas pelo governo, por que o estado é laico. Ou então que a Igreja Católica não pode manifestar opiniões políticas, por que o estado é laico. Ou então que a psicóloga protestante, Marisa Lobo, não pode defender a sua tese de que não concorda que o homossexualismo é original (algo que está na origem) ou mesmo algo comum, sem transtornos psíquicos – porque o estado é Laico.

Ora, o “Estado Laico”, pela constituição tem dever de dar direitos iguais a todas as religiões se manifestarem. Mas o que vemos é uma grande tendência do ateísmo governar, já que movimentações culturais de todos os tipos são sempre muito bem vindas, como por exemplo, fechar a avenida Paulista para a Parada Gay, ou uma doação em dinheiro, mais um enorme trio elétrico que o conselho de psicologia doou para um grupo de homossexuais exprimirem seus direitos, tocando música eletrônica e dançando sensualmente sobre ele.

E quando se fala em apoiar os cristãos com camisetas e um trio elétrico o preconceito é facilmente difundido dizendo que o estado é Laico e não pode fazer isso. As religiões têm direitos iguais sim de receber apoio do estado para se manifestarem. Isso é cultura.”

Teu mar

Estava eu diante do mar, quando me chamou a atenção a forma como aquelas enormes ondas, até então ameaçadoras, morriam lentamente nos meus pés, quando eu estava até então na areia. Pensei comigo: “O mar não é tão forte quanto parece!” e fui além: “Eu me sinto muitas vezes como ele, pois muitos dos meus sonhos tinham toda a força e hoje morrem aos pés das pessoas!”.

Pois bem. No dia seguinte quando estava na água com meus amigos, via que todos tinham muito medo, e tomavam muito cuidado com as ondas. Elas eram muito fortes e nos cobriam. E, num descuido, poderíamos nos afogar.

Calma, é neste parágrafo que vou fazer valer o seu tempo gasto pra ler tudo isso até aqui. Ora, depois desta última experiência, me dei conta de que o mar é como minha vida. Aquele que vê de longe é tentado a me julgar e me chamar de fraco. Não confia nos meus sonhos, nas minhas metas, naquilo que sou. Mas aquele que caminha comigo, dia após dia, que está dentro da minha vida, de fato, este sim guarda o sincero respeito por mim e reconhece meu valor.

E, como no mar, só fica na minha vida aquele que eu permito. Quando sou autêntico, quando sou corajoso como o mar, nem todos tem a paciência de continuar em minha vida. E, se não forem de confiança, logo se afogam.

Para mim, Deus é aquele que domina os mares e governa minha vida.

Mar

Ação!

A vida corre,
avança e morre.

Não é ensaio.

Não é talvez.
É de uma vez
Um sim ou não.
Um coração

Que vai batendo até que alguém lhe abra
A porta estreita do caminho certo
Que é formado por passos incertos.

Alguém há de escrever um dia:

“Aqui jaz.”

Mas quem hoje é capaz
De anunciar o que seria

Se a direita chorar
Vendo meu corpo pra esquerda andar?

Ação

Respostas

Há tempos não escrevo aqui, pois não sabia necessariamente o que dizer. Hoje percebi o quanto tenho me enganado pensando assim.

Quando se descobre a proeza dos passos, nem sempre se descobre para onde caminhar. E, 22 anos, se sabe muito bem andar, correr, voar sem mesmo sair do lugar.

Mas quando surgem algumas barreiras, algumas questões, lembramos que nossos pés não conseguem falar. E lembramos, também, que, com 22 anos, não se tem todas as respostas.

Mas o que fazer? É preciso caminhar… Cair, se machucar, sangrar, as vezes rolam umas ofensas pela dor, mas aí vem a fase mais difícil: a de se levantar.

Ta aí uma coisa q eu não entendo: como é que agente pode se batizar, confessar, comungar, rezar… E aí agente peca, sente prazer no que faz, na cara dura. Isso se repete várias vezes. Várias confusões, vários tormentos, várias dúvidas. E Deus? O que ele faz?

Ele se rebaixa. Olha nos nossos olhos, segura nossas mãos, ajuda a levantar. E continua nos amando do mesmo jeito.

Como isso? Como ele consegue? Por que ele não desiste? Por que?

Não consigo entender…

E esse amor dele chega a doer em mim…

Jesus