Vai, frio.

O frio chegou.

Veio sem rima, sem poema, sem canção.
Veio sem som qualquer.

Não trouxe uma novidade, uma palavra amiga.
Nem notícia ruim.

Apenas veio.

E como um velho e conhecido alguém, sentou do meu lado como se apenas no olhar pudesse saber tudo o que eu não estou passando. E veio gelar meu coração, diminuir meu pensamento, meu ritmo, meus passos. É quase uma prisão interior.

Eu não lhe ofereci comida alguma, apenas uns remédios. Talvez um chá ou outro. Mas nada que curasse o vazio e a interrogação.

O frio me olha estranho. É um olhar redundantemente gelado, que não diz nada, mas pergunta tudo.
Como se eu tivesse resposta…

As vezes eu ponho um cachecol azul, uma jaqueta preta, uma blusa marron, pra ver se ele percebe que eu preciso continuar meus afazeres e se retira. O máximo que ele faz é olhar pela janela vendo os carros passarem.

Outro dia pensei que ele também quisesse ir embora, até sonhei que eu o pedia claramente que se retirasse.

Sonho besta…

Re-leitura (2012)

Havia escrito um texto imenso, mas tenho aprendido a zelar pelas coisas simples.

Quero por aqui agradecer, primeiramente a vocês que tem lido o que eu escrevo e se identificado com os textos, poemas, frases, em tantas fases da minha emoção. Para mim escrever é viver. Já que tanto escrevi – ja que tanto vivi, fico agora com o gosto em reler a vida que passou por este 2012.

(Ao som de Johm Mayer)

Releio o imenso incomodo que me havia na faculdade, quando eu procurava uma liberdade que só a arte poderia me dar. Foi então me apresentado o meio audiovisual: uma espécie de máquina de realizar sonhos. Passar pela oficina de cinema do Tela Brasil, conhecer pessoalmente Laís Bodansky, Edu Abad, Juca de Oliveira (o ator) e ser ensinado pelo grande Fabrício Borges, foram decisivos pra alimentar em mim o desejo de atingir uma grande meta na minha vida: ser diretor de cinema.

Tendo entrado nesse mundo mágico, contra qualquer regra e a favor de qualquer maluquice sonhadora, larguei a faculdade de Psicologia que lutei tanto pra conseguir entrar. Bolsa de 100% na PUC, depois de ficar a duas vagas atrás da lista da USP, não é tão fácil assim, pode crer.

Deus nunca deixou de iluminar meus passos.

Agradeço a Deus pela vida do parceiro, Wagner, o fotógrafo que tem me apadrinhado, me ensinado tantas coisas, graças a ele sou freelancer de uma agência muito importante em São Paulo, prestando serviços em eventos CULTURAIS de grande porte!! – Teatros, Orquestras Sinfônicas, Encontro Nacional de Corais, enfim… Só gratidão.

O Bonde continua andando, há momentos de grande dificuldade, mas Deus sempre inspira o presidente Bruno e, mesmo muito tendo preferido as luzes passageiras da vida, muitos de nós ainda ficamos e perseguimos a verdadeira luz: Jesus Cristo, meu melhor amigo.

Fazer arte pra Deus ainda me enche de alegria: neste ano nos tornamos a Companhia I Tipi Loschi, trabalhando pela Pastoral das Artes. O amado padre Fernando está agora em outra missão, distante territorialmente de nós, isso corta o coração. Mas como ele mesmo disse, “Creio na comunhão dos Santos”, e agora é Jesus quem nos une ainda mais fortemente.

Padre Emerson veio até nós, para uma rápida, mais enriquecedora missão. Cada palavra dita por ele, grita forte dentro de mim, sua forma de falar com Deus é contagiante e fará muita falta entre nós. É um excelente amigo e pastor. Ainda não caiu a ficha de que ele também se vai…

São muitas as coisas que me aconteceram, boas e ruins, encontros e despedidas. Ainda choro a morte do meu tio Nei. É algo mto difícil de acreditar… Assim como a Ligiane e o Eric choram a do Matheus, seu filho de 4 meses. Mas a morte deve acontecer para todos nós um dia, pois só assim veremos o que é verdade face a face e sairemos da injustiça desse mundo.

E assim como acontece a morte, também nos ocorre,a cada batida do coração, a vida.

Agradeço a Olívia por ter me ajudado a realizar tantos sonhos, e por ter me ensinado a sonhar outros. Graças a ela estou idealizando a criação da minha empresa, onde a Vida será o assunto principal em cena.

Obrigado, Carol, por ter aceitado se tornar minha madrinha. Mesmo que ninguém entenda e pergunte: “madrinha de que?”. A resposta não importa. O que importa é o tanto que sua amizade e seus conselhos me ajudaram a passar por coisas muito difíceis esse ano.

Fernandinha e Bruno. É lindo demais trabalhar do lado de vocês. Vamos ver o que Deus, a vida e a arte nos reservam esse ano.

Peço perdão e perdôo a todos que passaram por minha vida até este momento.

Também agradeço a Deus pelas novas pessoas que ele me tem apresentado. Algumas em especial me dão vontade de amar, uai.

E que venha 2013. Que já está sendo pra mim um ano de ESPERANÇA e de AMOR.

Em 2013 eu quero amar.

De vida ao tempo

Já é tarde. Procuro algo com o que escrever procurando algo com o que escrevia minha vida até um tempo esquecido lá atrás.

Não foram os tempos que mudaram. Se minha vida é um segundo só, o tempo leva a culpa sendo inocente.

Nem foram as coisas que mudaram. Se minha vida é um instante apenas, não ha tempo para se ter coisas e delas se desfazer.

Tudo o que eu tenho, na verdade, é o que aceito quando disse sim para por a cara neste mundo descarado. Troco esse infeliz trocadilho, pela sensação que havia em mim no fragmento de hora em que sorri pela primeira vez sem precisar TER ou sem precisar SER.

Às vezes penso que a vida é um desafio como brincadeira de primos na piscina. Dar as caras no mundo desconhecido abaixo daquela linha d’água e ali ficar pelo tempo que se aguentar e quando tudo começa a ficar sufocante, asfixiante, basta conseguir dar vazão ao instinto que avisa que o mundo de onde viemos de fato está acima de nós.

Quem disso se esquece, se afoga e desce cada vez mais fundo, onde não há ar, onde não ha vida, mas há tempo à desgosto para morrer.

23, O Número!

Eu tinha um colega de classe, anos atrás, que tinha umas frases um pouco estranhas, mas que pra ele faziam todo o sentido. Tinha também um número que ele muito gostava de exprimir em todas as suas falas: “23”. Ele diz com gosto! “Vinte e três é o número!”. O da sorte, o preferido, enfim, ele era fã do número. Claro que o fato de ele ter nascido num dia 23 ajudava muito…

Hoje faço 23 anos. Nem tão jovem, nem tão adulto. Nem tão sábio, nem tão ignorante. Nem tão decidido, mas também nem tão confuso como pensam. Sempre há muito pra aprender, pra errar, pra entender, pra peneirar.

Alguns fatos eu gostaria de lembrar, se tiver tempo e paciência, pode dar esse presente para mim, leia aí um pouco das minhas nostalgias!

Que tal a primeira vez que cortei meu cabelo pra valer! Pois é… Eu tinha cinco anos, meu cabelo, era lindo! Enorme, enrolado! Mas minha mãe me pediu pra cortar! Foi triste! Quem me conheceu entre 2006 e 2007, viu minha rebeldia manifestada naquele enorme cabelão!

O dia em que entrei pra escola, no pré… Minha mãe me perguntava: “Quer ir agora cedo ou quer q eu te matricule a tarde?”. Eu me arrependo amargamente de ter escolhido o horário da manhã!!! Tenho sono até hoje!

Lembro de subir no alto do sofá com meu irmão. Meu pai ligava aquele pagode do “Raça Negra” no último volume, eu usava uma  parte de um “negócio” que usávamos para encher pneu de bicicleta, fazia aquele pedaço de coisa quebrada de microfone e me acabava nas noites em casa!

E o dia em que eu consegui escrever meu primeiro “S”? Foi histórico! Todos em casa aplaudiram!

Tudo bem, deixemos as lembranças tão infantis. Vamos para as mais recentes!

O dia em que entrei para a escola de música. Haviam dez vagas. Todas preenchidas. O amigo Rodolfo que estudava violão naquela época, me apresentou para o professor Washington. Não sei o que ele viu em mim, mas conseguiu me passar à frente de todos e garantir uma vaga para que eu finalmente mergulhasse no mundo mágico da música!

Anos depois, falo com orgulho e com humildade, recebi o troféu do prêmio cultural, como primeiro colocado. Quando toquei um clássico de Paulinho Nogueira.

E quando concluí o Ensino Médio como Orador da Turma! Foi uma experiência incrível!

O tempo foi passando e Deus foi me aproximando de pessoas, coisas e situações que me provaram, me recompensaram e me fortaleceram sempre mais. Tenho orgulho hoje não só escrever um “S” mas textos que são lidos por muita gente, cantar com meus irmãos para Deus pai, estar a frente de um grande projeto artístico… Mas, claro. O velho dorminhoco ainda dorme em mim! O rapaz atrapalhado, distraído, sonhador. Atrás de uma barba e de nomes que me dão, aquela criança ainda é viva e intensa e faz meus olhos brilharem todos os dias!

Um obrigado a Deus, a Nossa Senhora, à minha família e a todos os meus amigos de verdade e, principalmente, aos meus inimigos. Eles me ensinam antes de tudo como ser cristão!

OBRIGADO, pelos meus 23 anos cheios de retalhos de todos vocês! 23, esse é hoje o meu número!

Feliz Aniversário!

Teu mar

Estava eu diante do mar, quando me chamou a atenção a forma como aquelas enormes ondas, até então ameaçadoras, morriam lentamente nos meus pés, quando eu estava até então na areia. Pensei comigo: “O mar não é tão forte quanto parece!” e fui além: “Eu me sinto muitas vezes como ele, pois muitos dos meus sonhos tinham toda a força e hoje morrem aos pés das pessoas!”.

Pois bem. No dia seguinte quando estava na água com meus amigos, via que todos tinham muito medo, e tomavam muito cuidado com as ondas. Elas eram muito fortes e nos cobriam. E, num descuido, poderíamos nos afogar.

Calma, é neste parágrafo que vou fazer valer o seu tempo gasto pra ler tudo isso até aqui. Ora, depois desta última experiência, me dei conta de que o mar é como minha vida. Aquele que vê de longe é tentado a me julgar e me chamar de fraco. Não confia nos meus sonhos, nas minhas metas, naquilo que sou. Mas aquele que caminha comigo, dia após dia, que está dentro da minha vida, de fato, este sim guarda o sincero respeito por mim e reconhece meu valor.

E, como no mar, só fica na minha vida aquele que eu permito. Quando sou autêntico, quando sou corajoso como o mar, nem todos tem a paciência de continuar em minha vida. E, se não forem de confiança, logo se afogam.

Para mim, Deus é aquele que domina os mares e governa minha vida.

Mar

Ação!

A vida corre,
avança e morre.

Não é ensaio.

Não é talvez.
É de uma vez
Um sim ou não.
Um coração

Que vai batendo até que alguém lhe abra
A porta estreita do caminho certo
Que é formado por passos incertos.

Alguém há de escrever um dia:

“Aqui jaz.”

Mas quem hoje é capaz
De anunciar o que seria

Se a direita chorar
Vendo meu corpo pra esquerda andar?

Ação

Respostas

Há tempos não escrevo aqui, pois não sabia necessariamente o que dizer. Hoje percebi o quanto tenho me enganado pensando assim.

Quando se descobre a proeza dos passos, nem sempre se descobre para onde caminhar. E, 22 anos, se sabe muito bem andar, correr, voar sem mesmo sair do lugar.

Mas quando surgem algumas barreiras, algumas questões, lembramos que nossos pés não conseguem falar. E lembramos, também, que, com 22 anos, não se tem todas as respostas.

Mas o que fazer? É preciso caminhar… Cair, se machucar, sangrar, as vezes rolam umas ofensas pela dor, mas aí vem a fase mais difícil: a de se levantar.

Ta aí uma coisa q eu não entendo: como é que agente pode se batizar, confessar, comungar, rezar… E aí agente peca, sente prazer no que faz, na cara dura. Isso se repete várias vezes. Várias confusões, vários tormentos, várias dúvidas. E Deus? O que ele faz?

Ele se rebaixa. Olha nos nossos olhos, segura nossas mãos, ajuda a levantar. E continua nos amando do mesmo jeito.

Como isso? Como ele consegue? Por que ele não desiste? Por que?

Não consigo entender…

E esse amor dele chega a doer em mim…

Jesus

Sonhar e prosseguir… Decididamente

“Não pretendo dizer que já alcancei (esta meta) e que cheguei à perfeição. Não. Mas eu me empenho em conquistá-la, uma vez que também eu fui conquistado por Jesus Cristo. Consciente de não tê-la ainda conquistado, só procuro isto: prescindindo do passado e atirando-me ao que resta para a frente, persigo o alvo, rumo ao prêmio celeste, ao qual Deus nos chama, em Jesus Cristo. (…) Contudo, seja qual for o grau a que chegamos, o que importa é prosseguir decididamente. (…) Nós, porém, somos cidadãos dos céus. É de lá que ansiosamente esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo…”

(Paulo de Tarso: Carta aos Filipenses cap 3, vers 12-14, 16 e 20)

Eu tenho um sonho. Aliás eu tenho uma coleção de sonhos e projetos e desejos. Uma vez me disseram: “Lucas, se seu sonho está muito alto, não se preocupe! Ele está no lugar certo. Agora construa os alicerces para alcançá-lo”. Isso, aliado às palavras de S. Paulo, me inspira dia e noite.

Se eu for comparar o que eu era há dez anos com aquilo que sou hoje, verei o quanto Deus transformou a minha vida, minha conduta, meu caráter. Mas não importa o grau a que eu cheguei, é forte o que sinto: tenho que prosseguir! Prosseguir decididamente. Não importa se eu estou fraco e quase caindo. Também não importa se meus passos são pequenos. Mas o que verdadeiramente dá valor à minha caminhada é o tamanho dos meus sonhos.

E assim eu sinto que quanto mais eu andar, estudar, compor, cantar, inventar… Mas eu farei, e ainda mais prosseguirei!

 Alguém por aí já disse que os nossos sonhos são como que combustíveis! Aí daquele que não tem sonhos! Ou daquele que sonha pequeno. Porque um não sai do lugar e outro pensa que já viveu tudo…

E uma coisa ainda me preocupa: muitos por se apegarem demais aos escritos deste mundo, ou às experiências que por nós podem ser provadas, se esquecem, e outros ainda não acreditam, do sonho máximo, extremo e eterno. Estou falando da conquista do céu acima descrita por S. Paulo. Quem sonha com o céu, sonha com algo real. Sonha com algo muito grande e muito próximo. É algo que não tem explicação…

Eu sonho! E muito. Sou daqueles grandes sonhadores… E minh’alma não cansará jamais de sonhar até que eu chegue no Céu e veja a face do Amor. E toque o Senhor, depois de ter sido tão tocado por ele aqui na Terra.

Fica aqui uma música pra você sonhar um pouco…

Decididamente – Adoração e Vida