O Grão de Mostarda e o Tamanho do Meu Nada

É reconfortante a experiência de, por horas a fio, noites em claro, buscar algo de mim pra oferecer a Deus e descobrir depois de todo o tipo de tribulação e lágrimas, de males me atingindo por todos os lados, que não tenho nada para oferecer.

É muito belo olhar pra mim e me revirar do avesso pra ver se me aproveito em algo para dar àquele que tudo me deu ao longo de toda a minha vida, mas, depois de uma busca dolorosa, meus lábios fracos sussurrarem: “Senhor, eu não tenho nada, eu não sou nada”.

O nada é minha semente, meu grão de mostarda; o nada é minha fé polida e lapidada que eu planto no coração de Deus e ele faz crescer com toda a delicadeza, sabedoria e misericórdia. Essa é a fé que move a montanha do coração de Deus. A fé de quem é nada, plantada, escondida no Meu Tudo.

Latens Deitas

Jesus, meu Deus amado e escondido.
Velado sob um branco e fino véu.
Quão grande és tu para caber no céu?
Quão simples, tu, para ser meu amigo?

Ouvindo então que moras cá em mim.
Confesso logo que não compreendo:
Por que habitar bem neste quarto horrendo
Se tens no céu o repouso sem fim?

O teu silêncio respondeu minha dor:
Sabendo, tu, que sou mísero assim,
Estás aqui no meu interior
Pra, com amor, proteger-me de mim.

Ódio: vendo ou troco por amor

O ódio não tem outra função senão a de dar o sinal: “eu preciso ser amado”.

Uma das estranhas belezas do cristianismo é entender os gestos de agressão que os humanos fazem diariamente uns contra os outros como um verdadeiro apelo por atenção. Aquele que se sentiu atacado seja por um olhar fulminante, uma palavra furiosa ou um gélido silêncio, sabe o tamanho da ferida que ganhou neste assalto à 4 pedras nas mãos.

No entanto, cada golpe sofrido, cada gota, ainda que simbólica, de sangue derramado, traz uma ferida aberta, de cuja fenda se espera que seja jorrado amor. Aquele que agride, nada mais faz além de uma dolorosa oração clamando por algo que o cure de suas próprias chagas.

A prova por excelência desse clamor oculto: Jesus Crucificado. Por suas chagas, por suas feridas, pelas fendas abertas no seu corpo, pudemos nós experimentar do amor de Deus. Cristo se deixou ferir a fim de que tivéssemos em nós o amor necessário para retornarmos à graça de ser imagem e semelhança do Amor-por-excelência.

Será que eu passo?

se os passos me fossem palavras
se a estrada me fosse um papel
eu saberia compor os meus mapas

mas os meus caminhos nao sao
meus

meus passos nao sao passos meus
também

e meu sonolento vazio de passos
me faz escrever versos sempre tao tortos
que eu mesmo nao sei se conseguem andar

tao pouco onde os passos me farao chegar.

repito os passos como repito as palavras.
talvez por falta de vocabulário
talvez por falta de passos pra dar.

talvez por medo de somente andar.

Cabide e tudo que é teu.

Se sua vida couber no meu instante,
Seus discos na minha estante,
Sua vida nos meus versos,
Seu jeito nos meus avessos.

Se seus olhos fitarem meu prato.
Seus dedos tocarem meu tato.
Se seu gosto couber em meus livros.
Suas mãos me fizerem mais livres.

Seus passos, junto com os meus
caberão na eternidade.
Sua mentira ao sorrir
Dará mais vida às minhas verdades.

Good Night Tree Hill, you leave too

O que mais gosto em personagens é que cada um deles guardam um traço que identificamos em nós mesmos. Assim, todo filme, seriado, romance literário – os de qualidade é claro, novelas da Globo não contam -, são para nós um material que usamos para construir um lugar novo no nosso coração.

Neste lugar, guardamos olhares, palavras, silêncios, que nos de alguma forma despertaram em nós sentimentos e sensações que nunca mais havíamos experimentado. Pensamentos e intuições que por tanto tempo estavam enterrados

Assim que uma bola de basquete nas mãos de um garoto sonhador, uma amante de rock solitária, uma melhor amiga cantora e um rapaz errante que repensa suas atitudes com o outro falam comigo em nove anos de existência, ainda que eu os tenha acompanhado por apenas 5 anos e alguns meses.

Jamais vou esquecer daquela solidão que me atingiu num domingo de manhã, quando passeando pelos canais do SBT, encontrei um episódio de uma série onde, no final, tudo dá errado! Achei aquilo maravilhoso e resolvi correr atrás! E estou correndo até hoje atrás de mim mesmo por essa série sem que eu tenha percebido! Até julguei que aquilo fosse o final da série passando naquele momento. E me identifiquei com a situação que eu vivia comigo mesmo e com muitas coisas da minha vida.

One Tree Hill, é mais que um seriado, é um mundo que eu criei em mim mesmo, um refúgio das mazelas da realidade, uma companhia para a solidão. Hoje One Tree Hill vai embora do futuro de todos nós e é o momento de se repensar o que fazer da vida. E fazer valer a pena todas as lições ali aprendidas.

Dan Scott morreu redimido. E o mesmo espero que aconteça com meus erros. Que todos eles morram, mas perdoados. E que o bom da minha vida prossiga em paz!

Boa Noite, Tree Hill! Descanse em paz.

 

 

Revisão 2011 – Parte I

Prestes a encerrar esse ano, tenho uma grande interrogação: da pra começar de novo? E como ficam as inúmeras coisas que eu prometi realizar e nem dei início? Bem, se eu sou como todos vocês que leem isso, temos todos essa mesma questão…

Ora, a sensação de um dia novo, de um mês ou de um ano novo, nos traz uma certa esperança. É como aquela época em que comprávamos um caderno novo na papelaria, um estojo novo cheio de lápis de cor, canetinhas e outras coisas do tipo. Era maravilhosa a sensação de que estávamos num tempo novo e assim jogaríamos fora todas aquelas coisas antigas que não iríamos mais usar.

Mas acontece que nós homens, pobres mortais, esquecemos com quem estamos lidando: com o tempo. O tempo tem o poder de trazer coisas novas. Mas ao mesmo ‘tempo’, ele é sincero conosco e nos alerta a todo momento de que nós somos uma única pessoa e que não existe outras versões de nós em branco ou nunca inauguradas em lojas por aí.

O que devemos fazer então? Aquele trabalho horrível, mas necessário de revirar nossas gavetas, atrás daquilo que ficou velho e avaliar o que precisa ser consertado, reaproveitado ou o que precisa ser jogado fora. Como o carro que passa por uma revisão antes da viagem.

Vamos comigo, faltam dois dias pra nossa viagem por 2012. Me ajudem a revisar algumas coisas da minha vida.

Me senti renovado quando tive a chance de realizar mais uma vez a segunda fase da FUVEST. Me senti horrível quando vi que precisei rever meus erros, já que não passei e fiquei por duas vagas a conquistar esse grande sonho.

Vi a grande novidade de ser primeiro lugar na lista do proUni e entrar na PUC de Barueri e conhecer pessoas novas, professores novos, as matérias legais, meu ratinho no laboratório… Precisei me rever quando tive meus primeiros conflitos com colegas, professores, amigos e até ex-amigos.

Lá conheci muitos bons amigos. Quero destacar aqui a Luana (desenhos e bacon), o Otávio (reflexões filosóficas malucas), a Ana Carla (a parceria católica na facul), a Bruna (grande exemplo de garra) e, claro, a Thais, a quem desejo uma vida repleta de felicidades e de perdão.

Como toda a novidade, O Bonde, ganhou muitos integrantes, uns se apaixonaram pelo Deus que habita em cada um deles. Assim vimos o batizado do Bruno (o presidente), do Iago (meu exemplo de humildade e santidade), do Curva (grande futuro pregador) e do Felipe (o maroto mais gente boa que eu conheço do Bonde). Vimos o milagre que foi a conversão do Luiz Fernando!!!!!!

Uns se apaixonaram pela alegria do momento. Sem a força pra rever suas vidas e tomar uma decisão firme. Esses, tal qual o jovem rico do evangelho, nem o nome merecem ter citados.

Por falar em novidade, Lucas Albuquerque (Xucro) e Josemar Jesus (Ursinho) se mostraram como meus braços direitos em muito do que me propus a fazer. E merecem um grande destaque.  Sem falar nos paizões Tia Cris e Tio Lois!

Eu me vi novo quando mergulhei em tantos projetos com meus irmãos William e Cristina, e morri Judas na Paixão de Cristo 2011! Mas nascerá Julio na Paixão de Cristo 2012. Não vejo a hora de conhecê-lo!

Em agosto me uni ao Bruno e a Fernanda pela Arte! E graças a Deus é uma nova parceria que tem dado muito certo! Fernanda, graças a você, que pensa em sintonia comigo o tempo inteiro, consigo ter liberdade de sonhar coisas malucas e transformar em arte e dar sempre o máximo de mim em todas as peças e músicas que escrevo pra P.A. Obrigado!

Foi muito bom ver que tem alguém muito igual a mim que mora em BH. Com quem eu tive a oportunidade de cantar junto, ainda que pela internet, e dar a ela algumas de minhas composições e também receber algumas dela. E assim formar um tesouro de segredos virtuais. Verdadeira parceira, Laís Mota!

Se você chegou até aqui… Obrigado! Você realmente gosta de mim! hehe Vamos continuar!

Algumas pessoas se tornaram novidades mais que especiais na minha vida. Mas no meio do caminho, a decepção me abriu os olhos e foi difícil demais superar a dor de ter que me rever sozinho e começando de novo.

Foi demais me rever ‘maestro’ e ator, e escrever personagens e músicas que levaram o povo a pensar. Transformar a igreja em sala teatral, e atuar. Tendo o Espírito Santo como diretor, Maria e Jesus na Eucaristia como principais espectadores, bem pertinho!

Foi tanta coisa em 2011, que não tive tempo de resolver algumas outras… Os assuntos amorosos deixo pro ano que vem.

Lembre-se um ano novo deve vir sempre acompanhado da capacidade de rever as coisas velhas, pano novo em roupa velha arrebenta e o rasgão fica ainda maior.

Se lembrar de algo, põe nos comentários!! Faremos uma parte 2.

Feliz 2012.