A ferida da Pureza

Nem se quer eu existia
Já pensavas Tu em mim
Criaste Tu os luzeiros
Separaste noite e dia
Logo então me criarias:
viveria eu sem fim.

Mas, sem fim, minha liberdade,
Tal confiança me puseste,
Foi alvo de tiro certeiro
Ferindo-me a vaidade
Pequei fugindo à verdade
da pureza que me deste.

Pensava agora andar só
Ouvi teus passos no jardim
Era Deus um missioneiro
Inclinando-se ao pó
Miserável, pobre pó
Que o pecado fez de mim.

Delicadas tuas mãos
Estranhei suas feridas
“Não és Tu Deus, o Primeiro,
Forte, Poderoso e São?
Sangra o teu coração!”
“Manchando-me com meu sangue
Resgatei tua pureza.
Morrendo por ti na cruz
Devolvi tua beleza.”

Deus Ferido