De vida ao tempo

Já é tarde. Procuro algo com o que escrever procurando algo com o que escrevia minha vida até um tempo esquecido lá atrás.

Não foram os tempos que mudaram. Se minha vida é um segundo só, o tempo leva a culpa sendo inocente.

Nem foram as coisas que mudaram. Se minha vida é um instante apenas, não ha tempo para se ter coisas e delas se desfazer.

Tudo o que eu tenho, na verdade, é o que aceito quando disse sim para por a cara neste mundo descarado. Troco esse infeliz trocadilho, pela sensação que havia em mim no fragmento de hora em que sorri pela primeira vez sem precisar TER ou sem precisar SER.

Às vezes penso que a vida é um desafio como brincadeira de primos na piscina. Dar as caras no mundo desconhecido abaixo daquela linha d’água e ali ficar pelo tempo que se aguentar e quando tudo começa a ficar sufocante, asfixiante, basta conseguir dar vazão ao instinto que avisa que o mundo de onde viemos de fato está acima de nós.

Quem disso se esquece, se afoga e desce cada vez mais fundo, onde não há ar, onde não ha vida, mas há tempo à desgosto para morrer.