Quinta Temporada

De um lado a saudade
De outro, o salgado gosto da memória,
Do que era pra ser história,
Das migalhas da verdade.

Dividimo-nos em atos
E a vida?

Virou um teatro!

Ou será que virou filme?
Já que nada foi tão firme
E muito voltamos atrás

Atrás das câmeras
O ator
Nos bastidores
A dor

Porque separar se escreve juntos
Mas esse roteiro ainda não está pronto

E se parar a filmagem?
Sem final feliz?

Sem próxima temporada?

Vida destemperada.

O futuro é um passado
com roupa nova e
coração mudado.

 

Amigo Fiel

Muitos de vocês visitaram este blog no dia 20 e nele esperaram encontrar uma bela reflexão sobre amizade ou então cenas marcantes e engraçadas em minha vida com meus amigos.

No entanto, chegando em minha casa neste instante, me deparo com uma realidade até cruel: como escrever algo que surpreenda, supra expectativas e ao mesmo tempo provoque um pensar na mente de quem ler esta postagem?

Então me vi numa situação que ocorre na maioria das vezes nas vidas de cada um de nós: estamos sozinhos e nossos amigos estão ou dormindo ou impossibilitados de nos ajudar por vários motivos de força maior..

O que fazer?

Veja minha história. Ao contrário do que vivo atualmente, eu nunca tive uma grande quantidade de amigos. Ou então um que me entendesse bem a ponto de com ele construir uma amizade sincera e profunda. Trago boas lembranças de pessoas do meu tempo do pré, do ensino fundamental e médio, amigos do cursinho e até mesmo hoje na faculdade: Todos eles passam…

E nenhum deles está comigo 24horas por dia…

E neste tempo de minha vida em que meu número de amigos era limitado? Como eu fazia…?

Ora, existem coisas a meu respeito que ninguém sabe. A não ser um grande amigo meu.

Como quando eu chorava entre lágrimas tomando banho, ou quando eu me escondia em algum lugar pra fugir de um momento ruim na vida..

Ou quando eu tinha algo de muita alegria pra contar e não tinha pra quem partilhar

Ou quando todos me julgaram errado, quando eu parecia tão certo e quando eu sofri decepções enormes e não sabia a quem recorrer de vergonha.

Ele estava lá…

Me lembro do dia em que eu descobri que sabia cantar, (hehehe), me escondi de todos e fiquei cantarolando. Só ele me ouviu… Me lembro do dia em que fiz minha primeira música… foi pra ele. Ou quando eu mirei meu violão na parede decidido a arrebentá-lo com tudo pra nunca mais o ver, tamanha era a minha dificuldade pra aprender, ele falou ao meu ouvido: “Tente mais uma vez”..

Ou quando não me aceitaram na banda que eu queria tocar… Ele estava comigo e me dava forças pra não desistir.. Ou quando eu fui humilhado por coordenadores acima de mim que não acreditavam na minha capacidade…

Quando ela me disse que não queria mais… que não gostava de mim… aquilo doeu e eu era tão novo…

E quando eu não fui aprovado na faculdade dos meus sonhos? Como eu chorei, como eu me senti um lixo…

Lá estava ele também quando eu comecei a cantar… quando eu ouvi aquela declaração de amor que eu nunca vou esquecer e quando eu, nesta faculdade estou, melhor do Brasil em meu curso, fui o melhor colocado em várias disciplinas, das mais difíceis…

Esse meu amigo, fez deste cara aqui que começou com um violão tonante empenado e emprestado do tio, alguém hoje respeitado e querido por muitos artistas que hoje querem construir uma história de lutas e vitórias também.

Jesus, meu melhor amigo, eu te amo, cara, e não quero jamais me esquecer de você. Me desculpa se um dia eu me revoltei, ou se eu não consegui fazer como você queria que eu fizesse.. 

Mesmo quando eu estive mais fraco, mais sujo, mais miserável, o Senhor veio e me levantou e me ajudou a continuar. Me deu valor e isso eu não troco por nada…. e me acabo de chorar escrevendo isso, porque realmente eu só me senti alguém na vida quando eu te encontrei…

Obrigado… 

Abra seu presente hoje

E quando a descrença e o pessimismo se tornam ferramentas do ofício de pensar e planejar? O que fazer?

Bem, gostaria eu de ter a resposta. Mas infelizmente, pra certas coisas da minha vida e da vida de pessoas com quem convivo, a única resposta a ser dada por nós, míseros seres humanos, é: “Espera!”

Mas esperar?

Esperar o que?

Se o que eu tinha em minhas mãos voaram com o vento forte que alguém soprou. Se, ao fazer planos, a impossibilidade de realização toma conta de mim e me consome.

O que eu gostaria hoje é alguém me apontando a grande solução pra tudo o que eu tenho vivido e visto meus irmãos viverem: “Olhá, Ta ali, Ta ali, Ta ali…!”

Mas eu olho e não vejo nada…

Então, entre águas do meu rosto, sou obrigado a reconhecer: sou humano, sou vivente, sou mortal.

E aí percebo que estou disponível para as vitórias, mas também para as derrotas. Para vida e para a morte. Para o sorriso e para as lágrimas.

Outrora eu ri. Mas hoje eu choro. E amanhã? Não cabe a mim responder.

Ora, não cabe a mim dar essa resposta, caro leitor-sofredor-como-eu, porque o pedreiro não sabe como vai ficar toda a construção, a menos que trabalhe para edificá-la. Mas o arquiteto sabe porque quebrou ali, porque retirou aquilo, e porque construiu aquilo outro: ele sabe o produto final…

O que será de mim amanhã? Nada se eu não construí-lo com força, suor e lágrimas. Por mais dolorido que seja, não nos cabe saber o futuro se o que estamos vivendo se chama presente. E por ser presente, deve ser aberto e aproveitado.

Como um menino de três anos ao ganhar um brinquedo… Usa e abusa até que não sobre mais um pedaço, tamanho foi o proveito que ele fez…

Fique em paz…

Novo Post. Nova vida.

Tem coisas na vida que são como…. coisas…. São necessárias serem renovadas!

A corda Ré de um violão de naylon… O repertório de um artista…. Os posts de um blog etc.

Enfim, até São Paulo entrou nessa brincadeira: Revesti-vos do homem novo, criado a imagem e semelhança de Deus (Efésios 4, algum versículo que agora eu não me lembro, mas que fica depois do 17).

Olhando pra esse meu blog, precisando de letras e mais letras…, senti a vontade de dar a ele um novo texto.

Pensei em escrever coisas nas entrelinhas. Pensei em escrever poesia… Mas pensei também em deixar meus dedos soltos pelo teclado e ir colocando o que me vem à cabeça… – Exatamente o que estou fazendo agora.

Me vejo como que entrando num deserto… Num lugar silencioso, onde muitas vezes sofreremos e passaremos frio demais ou calor de mais… Porém, jamais se sai de um deserto da mesma maneira que entrou.

É esse meu objetivo. Quero renovar minha vida. É difícil aceitar a entrada no deserto. É difícil sair dele também. Mas quando se sai… Ahh… que vitória…

Muitas coisas deixarei para trás. Meu comportamento irá mudar. Minha forma de ver a vida será outra. Minhas canções, meus textos, minha arte será diferente.

Serei outro. Sairei mais maduro. Mais forte. Mais decidido. Que me aguentem…!

Apenas um desabafo pra quem quiser ler…

Logo volto aqui com mais textos… Os melhores desde os meus primeiros, vocês verão!