Harmônico Complexo

Meu coração é um pêndulo
Inconstante, variante
Numa dança vacilante

Um relógio que ponteia e desponteia
Aponta e desaponta
Apronta.

Deve haver quem o detenha
Quem o tenha
E marque o passo

Pois logo passo.

Há quem me pendure
Me pare. Me segure.

Mas há quem me liberte.
E dance no meu compasso.
Me acerte. Sem jogar laço.

Meu coração é um pêndulo
Melancólico, expressivo.
Estressivo.

Que jorra sangue.
Sanguíneo.
Que jorra amor.
Carente. Paciente.

Meu coração.
Quando parar de oscilar.
De viver, melhor parar.

Retrospectiva

É claro que não teremos 100% de vitórias na vida. No entanto, é mais que óbvio que as derrotas não transbordarão nossa existência. Aliás, precisamos de um equilíbrio na vida: ora vitórias, ora derrotas.

Essa postagem quero hoje dedicar àqueles que perderam várias vezes consecutivas, principalmente depois de muita luta, muito esforço e muitas renúncias.

Encerro meu ano de 2010 com três palavras retiradas de uma das belas músicas da Comunidade Católica Shalom, “Livre Para Amar”, que diz assim: PERDER PARA GANHAR.

Perdi muito. Perdi quando em fevereiro, não vi meu nome na lista de convocados para matrícula da USP. Perdi quando renunciei minha vaga na UNESP, trocando-a por um sonho e pelo desejo de permanecer perto dos meus. Perdi lágrimas enquanto chorei escondido desejando voltar no tempo e consertar os erros do vestibular.  Perdi quando decidi ficar mais um semestre num trabalho do qual já estava farto. Perdi quando deixei de fazer coisas que amava, mas que não estava dando o devido valor. Enfim, perdi…

Mas toda perda implica em um ganho… em biologia aprendemos que a poda numa planta estimula o crescimento das gemas laterais, ou  seja, cortando o ápice, a planta ganha novos galhos, novas folhas, novos frutos. Fui podado por Deus. Muito do que era meu ápice, Deus cortou para que eu frutificasse mais.

Ganhei quando na busca por consolo por não ter alcançado a vaga na universidade desejada, pela dor, voltei a me apegar em Deus. Ganhei tendo a chance de ficar ao lado da mulher amada a ter que conviver dolorosamente a 7 horas longas de viagem, sem se quer trocar um beijo e um abraço, sendo correspondido muito além do que mereço.

Ganhei quando, ficando em São Roque-Vargem Grande Paulista, com a benção de Deus através de Padre Fernando Ribeiro fundei o tão precioso Coral I Tipi Loschi (me emociono só de escrever o nome…). Ganhei quando aqueles que muito me amam me enxugaram as lágrimas, me mostrando a verdadeira amizade e o verdadeiro amor. Ganhei quando encontrei novos amigos e amigas maravilhosos no cursinho.

Ganhei quando  vi as lágrimas dos meus amigos funcionários do CECAP, no momento em que me despedia deles, no meu último dia de trabalho. Mostrando como eu era querido naquele lugar. Ganhei em trabalhar mais um semestre ao lado de equipe tão maravilhosa, que muitas vezes tem seu trabalho depreciado, esquecido e desvalorizado.

Ganhei quando vi o brilho nos olhos das pessoas ao ver e ouvir um coral regido por um sonhador como eu, que ainda traz em si as marcas da incrível professora Genuária Nanni, almejando, um dia, chegar a ser metade da regente que ela é. Ganhei quando vi a alegria no rosto nos jovens e adultos coralistas que se sentiam realizados e livres cantando comigo.

Ganhei quando conheci O Bonde, liderado pelo presidente Bruno. Ganhei quando descobri este tesouro escondido no bairro São Judas.

Enfim… São tantos os ganhos… Não cabe tudo aqui.

“Valeu a pena? Tudo vale a pena se a alma não é pequena” (Fernando Pessoa – Mar Português)

Ei, pessoa! Você aí. Quer ganhar? Então perca! É a receita que eu te dou.

Perca a chance de ter razão numa discussão. Perca o orgulho, a soberba. Perca o pessimismo, a timidez. Perca para ganhar o que há de melhor reservado pra você no ano de 2011.

Feliz Natal, Feliz 2011. Feliz perdas. Feliz ganhos. Feliz a todo momento!

Entrelinhas

Escrever entre linhas é mais fácil do que se pensa. Basta observar o traçado pré moldado inscrito sobre uma folha, outrora em branco, e, no espaço delimitado, esboçar o que o coração inspira. O difícil é escrever nas entrelinhas, afinal, somos acostumados a ler aquilo que de imediato nos é proposto, sem perceber que, aliado à mão, o coração também escreve.

Escrever nas entrelinhas, é, portanto, unir o pulsar que jorra a tinta em direção ao papel ao bater que gera o fluxo do sangue pelos pulmões e corpo. Há, porém, um problema: nem sempre o coração consegue informar o que quer escrever. Então, diante de nós, surgem diversos caminhos, os quais parecem todos estarem corretos e, ao mesmo tempo, duvidosos.

O que fazer? Arriscar e… riscar. Quando não se sabe o que é preciso escrever, deve-se começar a riscar algo até que o coração encontre o ritmo do bater das asas de sua liberdade.

O resultado? Como saber se não arriscar?! Provavelmente seu texto se completará escrito entre linhas. Ou, caso dê liberdade ao seu coração, para que este escreva junto com suas mãos, entre seu único escrito, haverá outros diversos, livres, vivos, circulando pelas entrelinhas.

Escrever é viver…